Por que ensinar folclore na escola?

Quando a gente fala em folclore, é comum pensar em lendas, cantigas, Saci Pererê, Curupira e outros personagens que aprendemos a conhecer desde pequenos. Mas folclore é muito mais do que isso.

De forma simples, podemos dizer que é o conjunto de conhecimentos, costumes e práticas culturais de um povo, transmitidos de geração em geração. E aqui tem uma coisa importante: ser uma tradição não significa ser algo parado no tempo. O folclore é vivo. Ele muda, ganha novos significados, encontra outras formas, mas acima de tudo, tem a ver com apreciar as nossas raízes.

É justamente por isso que falar sobre folclore na escola é tão importante. A valorização cultural também pode ser uma ferramenta pedagógica. Quando as crianças entram em contato com diferentes manifestações da nossa cultura, elas não estão apenas conhecendo uma dança ou aprendendo uma cantiga. Estão conhecendo histórias, costumes, pessoas e modos de viver que ajudam a formar a nossa identidade. E isso pode começar dentro da própria escola.

Na sexta-feira (21), véspera do Dia do Folclore, a Espaço Educar recebeu uma visita pra lá de especial: o Fandango do Pontal da Barra, um espetáculo popular criado em 1930, comandado pelo Mestre Vavá, patrimônio vivo de Alagoas. Entre músicas, cantos e danças simbólicas, o grupo levou para as crianças um pouco de uma tradição que faz parte da história de Alagoas.

“No nosso folguedo tradicional, representamos um grupo da Marinha e representamos a história real de uma nau catarineta que se perdeu em alto-mar por 7 anos e 1 dia. E aí nós contamos a história da relação entre Brasil e Portugal. A gente faz parte da 5° geração e vamos passando de geração em geração.”, nos contou o Mestre Vavá.

A apresentação tomou conta da quadra da escola. Os pequenos puderam ouvir as músicas de perto, conhecer os instrumentos, observar os movimentos, cantar junto e, principalmente, ter contato com uma manifestação cultural que talvez ainda não fizesse parte do seu dia a dia.

E esse não foi o primeiro encontro da nossa escola com o folclore alagoano. Ao longo dos anos, já recebemos diferentes manifestações culturais. Tivemos Pastoril, o grupo Baiana Volta a Sorrir e também o Zeca do Coco, patrimônio imaterial de Alagoas, com o Coco de Roda. Além disso, outras manifestações culturais sempre fazem parte das nossas celebrações, como no Carnaval e São João.

Nas aulas, oficinas e diferentes projetos, as crianças também têm contato com lendas, brincadeiras, cantigas e outras tradições que fazem parte da cultura brasileira e, principalmente, da cultura do lugar onde vivem. Porque conhecer o folclore é também conhecer um pouco mais sobre onde a gente está.

É entender que uma dança pode carregar a história de uma comunidade. Que uma cantiga pode passar de uma geração para outra. Que uma festa pode guardar costumes e memórias. E que uma tradição não precisa ficar presa ao passado para continuar sendo importante. Ela pode estar ali, acontecendo agora.

Por isso, o folclore não deveria aparecer somente quando chega o dia 22 de agosto, quando celebramos o Dia do Folclore. Ele pode estar presente durante todo o ano, sempre que a escola cria oportunidades para as crianças conhecerem, experimentarem e valorizarem a cultura que está ao seu redor. E talvez esse seja um dos pontos mais importantes.

As crianças de hoje são também as pessoas que, no futuro, poderão contar essas histórias, cantar essas músicas, participar dessas festas e manter essas tradições vivas.

E é por isso que, por aqui, fazemos questão de aproximar as crianças da cultura que está ao nosso redor. Da cultura nordestina, das tradições populares e, principalmente, da cultura alagoana, que tem tanta coisa para contar.

Afinal, antes de conhecer o mundo inteiro, a gente também precisa conhecer o lugar onde vive. Saber de onde vêm as nossas músicas, as nossas festas, as nossas histórias e os costumes que fazem parte da nossa vida.

Porque tem muita coisa para descobrir em Alagoas. E, quando uma criança aprende a olhar para tudo isso com curiosidade e carinho, ela também começa a entender um pouco melhor as próprias raízes.