Foram dias de testes, ajustes, tentativas e muita programação até os robôs chegarem à pista. No último dia 12 de setembro, todo esse trabalho ganhou forma na etapa estadual da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) 2026, e a Escola Espaço Educar saiu da competição com uma conquista inédita: o título de campeã alagoana na Robótica de Resgate e a vaga para a etapa nacional em João Pessoa.
A competição aconteceu no ginásio do Campus IV do Centro Universitário Cesmac, em Maceió, a etapa estadual reuniu mais de 500 participantes, entre estudantes, professores, acadêmicos, árbitros e integrantes da organização. Ao todo, participaram escolas públicas e privadas de Alagoas, com estudantes dos ensinos Fundamental e Médio.
Na modalidade prática, a Espaço Educar competiu no Nível 1, destinado a estudantes do 1º ao 8º ano do Ensino Fundamental, e conquistou resultados expressivos. A escola ficou em 1º lugar na modalidade Robótica de Resgate e ainda recebeu o reconhecimento de melhor programação do estado na categoria. Também alcançou o 4º e o 5º lugar na modalidade Robótica Artística.
Grande conquista na modalidade de Resgate
Na Robótica de Resgate, o desafio vai muito além de montar um robô. As equipes precisam desenvolver uma máquina autônoma, capaz de percorrer um ambiente que simula uma situação de desastre, superar obstáculos e realizar o resgate de vítimas sem qualquer intervenção humana durante a prova.
O robô utilizado pelas equipes da Espaço Educar foi desenvolvido pelos próprios alunos ao longo das aulas de Robótica. Foram eles que participaram da montagem, programação, testes e ajustes das máquinas.
Como funciona tudo isso? O equipamento utiliza dois sensores de cor voltados para o chão, responsáveis por identificar a linha e as marcações da pista, além de um sensor de distância na parte frontal, utilizado para identificar obstáculos. A programação, feita em blocos pelos estudantes, foi sendo reescrita conforme os testes mostravam o que funcionava e o que ainda precisava melhorar.
“Foi muito treino e muito erro bem aproveitado. Os alunos observavam como o robô se comportava e, a cada problema, procuravam uma solução melhor”, explica o professor de Robótica Anderson da Silva.
Na pista, o robô precisa percorrer todo o circuito sozinho. Ele segue uma linha preta no chão e precisa interpretar diferentes situações ao longo do caminho, como marcações verdes que indicam mudanças de direção, cruzamentos, becos sem saída, falhas na linha e obstáculos que devem ser contornados sem que o percurso seja perdido.
No final, chega à área de resgate, identifica as vítimas e as leva até o ponto de entrega. Um desafio que exige precisão tanto na montagem quanto na programação: pequenas diferenças podem ser suficientes para fazer o robô perder a linha. Foi justamente durante os testes que os alunos encontraram algumas das soluções que fizeram diferença na competição.
Em um primeiro momento, o robô corrigia a direção simplesmente ligando e desligando o motor, o que fazia com que ele serpenteasse durante os trechos retos. A equipe então substituiu o sistema por uma correção proporcional, fazendo com que o robô corrigisse pouco quando estivesse próximo do alinhamento e mais quando estivesse distante.
O resultado foi um percurso mais suave e rápido. Os estudantes também perceberam que dois sensores aparentemente iguais não necessariamente apresentavam as mesmas leituras e passaram a calibrá-los individualmente, deixando o robô mais estável.
Outra mudança veio da maneira como a máquina tomava decisões. Em vez de reagir imediatamente à primeira leitura de um sensor, os alunos programaram o robô para conferir novamente antes de seguir determinado caminho. Assim, leituras passageiras deixaram de provocar decisões equivocadas.
“Uma das coisas que eles aprenderam foi que o robô não precisa simplesmente reagir ao que está vendo. Eles começaram a fazer o robô conferir antes de decidir. Isso resolveu vários erros e mostrou, na prática, como pequenos ajustes na programação podem mudar completamente o comportamento da máquina”, conta Anderson.
É aí que programação, raciocínio lógico, estratégia e trabalho em equipe deixam de ser conceitos aprendidos em sala e passam a ser colocados à prova na prática.
A própria dinâmica da OBR valoriza esse processo. Nas modalidades práticas, as equipes são formadas por pelo menos dois estudantes e um professor-orientador, justamente para estimular a troca de conhecimentos e a aprendizagem colaborativa.
Na Espaço Educar, esse trabalho resultou em cinco equipes participantes e, entre elas, uma campeã estadual.
- A equipe C3PMAX, formada por Lucas Nunes Castilho (4° Ano) e Luiz Antônio Galvão Farias (5° Ano) , conquistou o 1º lugar na Robótica de Resgate e se tornou campeã alagoana da modalidade. Com o resultado, a equipe garantiu o direito de representar Alagoas na etapa nacional da competição, que será realizada em João Pessoa (PB), durante a Competição Brasileira de Robótica – PETROBRAS 2026.
- Também na modalidade de Resgate, a equipe MAXTROM, formada por Maria Fernandes Moroni Macedo (5° Ano), Flora Fontan de Cerqueira Macias (4° Ano), Francisco Moura Nonaka (4° Ano), conquistou o 5º lugar.
- Além do título estadual, a escola recebeu outro reconhecimento importante. A equipe ULTRAMAX, formada por Lucas Antônio de Aguiar Souza (5° Ano) e Yan Rocha de Albuquerque Maranhão de Vasconcellos (5° Ano), conquistou o reconhecimento de melhor programação do estado.
A Arte da Robótica
Se, no Resgate, o desafio está na autonomia e na estratégia, na Robótica Artística a criatividade ganha o centro da cena.
A modalidade permite que os estudantes utilizem robôs em apresentações que podem envolver dança, teatro, mágica, comédia e outras formas de expressão. A proposta amplia a ideia de que robótica é apenas programação ou construção de máquinas: aqui, tecnologia e expressão artística caminham juntas.
Foi nessa modalidade que a Espaço Educar colocou duas equipes entre os destaques da etapa estadual.
A equipe MADMAX, formada por Gael Andrade Rêgo (4° Ano) , Liz Malheiros Leão Souto (4° Ano) e Yan Melo Barbosa de Alencar (5° Ano), ficou em 4º lugar na modalidade Artística.
Logo depois, a equipe MAXIMUS, composta por Guilherme Mendonça de Lima (5° Ano) , Marcos Felipe Passos Maynart (5° Ano) e Murilo Houli de Melo Tenório (4° Ano), conquistou o 5º lugar.
Uma experiência que vai além da competição
Esta foi a terceira participação da Espaço Educar na Olimpíada Brasileira de Robótica. Nas edições anteriores, a escola já havia conquistado medalhas. Desta vez, veio também o título estadual.
Para Orleane Lima, coordenadora de Robótica da escola, a conquista é resultado direto da persistência dos estudantes ao longo da preparação.
“A nossa meta desde o início do ano era chegar ao pódio. Ver os alunos chegarem lá depois de tanto esforço é muito especial para todos nós”, afirma.
Mais do que o resultado, a preparação para a OBR envolve uma série de aprendizagens que acontecem justamente quando as coisas não saem como planejado. Os alunos precisam identificar problemas, testar possibilidades, dividir tarefas, ouvir o colega e refazer aquilo que ainda não funciona.
E talvez esse seja um dos principais sentidos da Olimpíada: antes mesmo de pensar em medalhas e classificações, existe um processo de construção. Um robô não nasce pronto. Ele é resultado de tentativa, erro, programação, criatividade, conversa, trabalho coletivo e muitas horas de preparação.
Na Espaço Educar, esse processo ganhou resultados que agora colocam uma de suas equipes diante de um novo desafio: representar Alagoas na etapa nacional da OBR, marcada para acontecer entre os dias 23 e 27 de novembro, no Centro de Convenções da capital paraibana.
A expectativa agora é continuar treinando, fazer os ajustes necessários e preparar os estudantes para uma competição que reunirá equipes de todo o Brasil. A próxima parada é João Pessoa. E, por lá, os alunos viverão uma grande experiência.





